RADIO BARREIRITTO CAIPIRA

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sábado, 29 de julho de 2017

CANECA DE ESMALTE
( valtair bertoli ) 29/07/2017

CANECA DE ESMALTE
( valtair bertoli / João Miranda ) 29/07/2017

Essa caneca esmaltada / que   guardo  como herança
É Uma relíquia achada   / Do meu tempo de criança
Foi tudo que me sobrou / Do sitio nova aliança
Aonde  o  papai   morou /  e   tempo lá  trabalhou
Sempre  cheio de esperança

Nossa casa era  humilde / Um ranchinho beira chão
Minha mãe dona Clotilde / Por ela tinha paixão
Do seu  lado no terreiro  / Tinha um   forno feito a mão
 Pra longe exalava o  cheiro / Quando mamae no  braseiro
  feliz   assava  o   pão

Meu pai  atarefado  / apressado eu sempre via
So ficava sossegado / quando a plantação colhia
  Pro roçado   ia cedinho    /  antes de raiar o dia
 só voltava  pro ranchinho  /  com o sol bem baixinho
que no poente   caia

eu mais meus  irmãos  /  a horta ficava aguando
dando  milho as criação /   passava o dia brincando
ia  nadar no Corguinho /  vivia sempre cantando
ia caçar passarinho / mas o tempo como  espinho
 de lá foi nos tirando

quando o sitio foi vendido    /  mudamos para a  cidade
perdi meus pais querido  / avançou a  minha idade
   passei  anos tão  distante /  daquela propriedade
La voltei  recentemente    / pra ver tudo   novamente
sofri com a realidade

quando cheguei no local  / me doeu o coração
nada mais estava igual / sofri a decepção
vi a casa destruída   /  oque me chamou atenção
foi   a caneca  escondida   /  pelas cinzas envolvida
e coberta de  carvão

hoje quando  olho pra ela   /  a lembrança me invade
vejo mamãe na janela /  com  semblante de humildade
me chamando pra entrar / pra tomar leite a vontade
sinto ao  passado voltar / e assim pego a chorar
no presente da  saudade

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Montado na ilusão
( Valtair Bertoli ) 26/07/2017

Cavalgando na saudade , no lombo da ilusão
Apiei do meu  cavalo , na sombra da solidão
Fui abrindo a porteira , da minha recordação
E logo me vi chegando e meu povo abraçando
Dentro da imaginação

Vi Chiquinho boiadeiro , arriando   seu cavalo
E Narciso pé de vento , na rinha treinando o galo
Vi o João pouca telha , com o seu  cabelo   ralo
Pastorando os caprinos ouvindo o bater do sino
Distante com seu badalo

Vi meu velho sorridente , galopando no bragado
Repicando o berrante , no pasto juntando o gado
Mamãe estava tão linda , de vestido estampado
Cuidando com muito zelo das tranças no seu cabelo
Com nosso radio ligado

Contente revi minha sala , nela a minha carteira
Atenta a professora , na escola de madeira
pude ver o Monjolinho , e a sombrosa figueira
aonde os peões pousavam do fogo que cozinhavam
vi a cinza  da fogueira

logo deu um temporal , vi poeira levantando
as bacias do quintal , o vento saiu levando
caiu um cisco em meu olho , assim  fui acordando
descobri que  era   um sonho fiquei muito tristonho
sentei na cama chorando

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Marcas do tempo ( valtair bertoli ) 24-07-2017 Triste olhando minha traia pendurada Empoeirada dentro de um velho galpão Bateu saudade das minhas longas jornadas Junto a boiada desfilando no estradão Desde criança a peonada admirava E respeitava as regras da profissão Em pouco tempo aprendi ganhar dinheiro dos culatreiros quando vi era o patrão Ho saudade sem perceber o tempo me corroeu Levou embora a minha felicidade Castigado pela idade , meu corpo envelheceu Me doí ver minha traia assim parada Que na estrada nunca me deixou na mão Durante a noite revisava na pousada Hoje encostada me aperta o coração Meu velho laço enrolado e ressecado Abandonado sem bainha meu facão A minha cela esta toda desbotada Dependurada nun gancho junto ao gibão Ho saudade sem perceber o tempo me corroeu Levou embora a minha felicidade Castigado pela idade , meu corpo envelheceu Meu par de espora engripou suas rosetas Numa gaveta vi mofado o cinturão Vi o sinete amassado sem badalo Do meu cavalo sem couro vi o argolão Na juventude eu me vi por um instante Com o berrante repicando no sertão Esse mantenho ele sempre bem guardado Pra ser levado um dia no meu caixão Ho saudade sem perceber o tempo me corroeu Levou embora a minha felicidade Castigado pela idade , meu corpo envelheceu

sábado, 22 de julho de 2017

O carro e meu pai
( valtair bertoli ) 22/07/2017

Olhando triste  para um   cabeçario
Apodrecendo sua ponta junto ao chão
E quatro cangas  já todas desgastadas
Abandonadas sobre o  velho  pranchão
Não avistei a chaveta e o pigarro
 Não vi o  chumaço o  caniço e o  cadião
 Assim achei  esse  carro abandonado
No chão jogado  sem rodeiro e sem cocão

Lembro meu   pai  chegando com seus bois
E   atrelando cheio de satisfação
a  cada junta que no   carro ele  montava
Os bois chamava apontando sua  mão
Já foi o tempo acabou todos carreiros
Já não tem   marcas deixadas  no grotão
Só resta agora  as  marcas do   meu passado
Riscos deixados  dentro da imaginação

Fui candieiro  no meu tempo de  criança
Ver essa cena me apertou o coração
lembrei   meu pai quando uma peça trocava
ela  alisava  com carinho  no  formão
Ele dizia  tudo tem que estar perfeito
o nosso carro  é o nosso ganha pão
Hoje me vi novamente ao seu lado
Fui cutucado com a vara da  solidão


ref:
Eiaaaaaaaaaaaaaaaa boi
quanta saudade do meu pai pelo sertão
feliz seguia no seu carro carreando
ia  atento comandando a marcha   no estradão

quinta-feira, 20 de julho de 2017

DENUNCIA
( VALTAIR BERTOLI )

Pra você que esta ai ouvindo o radio agora
Escutando minha voz acompanhada por viola
Venho aqui denunciar um amor que foi embora
Fez igual um passarinho quando escapa da gaiola

Quero a ela  perguntar porque pode estar ouvindo
Se  ela me tem    amor   porque então vive fugindo
Se ela não tem  ninguém  porque então me ignora
E por que vive falando  que comigo ela    namora

Eu sei que você sabe que por ti estou sofrendo
Porque não telefona isso que  eu  não compreendo
Se você quer judiar só  me impor o seu castigo
Meu bem  aqui eu te imploro não faça isso comigo

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Flor do passado
( valtair bertoli ) 19/07/2017

Jamais pensei em toda minha vida
Que um dia eu iria  vela assim
Sozinha vagando sem   guarida
uma flor murcha caída no jardim

A flor tão bela que foi no passado
Que se vestia com roupa de cetim
Por quem um dia eu fui desprezado
Pedindo  agora seu  perdão para mim

Confesso a ti  que   não estou contente
De te encontrar em tão mal  situação
Por seu amor eu fui  tão carente
Você que um dia   foi   minha grande paixão

Tudo  passou e hoje eu estou mudado
A muito tempo   acabou minha paixão
 digo a  você  que   não estou magoado
e eu  já tenho outro amor  no coração
Tempestade de saudade
( valtair bertoli ) 19-07-2017

Os dias da minha vida /  ela tudo   transformou
na   enxurrada   da saudade / meu mundo se  inundou
meu rosto brilha  em pranto /  a tempestade o molhou
recordando de um passado /tão  lindo que  se acabou

quem era tudo pra mim  /que  jurava   me amar
fez na sua despedida  /  meus olhos   triste  chorar
agora me afogo em  magoas /sofrendo    ao recordar
olhando  a sua aliança /que ainda insisto em  guardar

ref:

 já fui feliz nesse mundo / agora é   desilusão
perdi a  minha querida / que mora em  meu coração
virei  seu  prisioneiro / nas grades dessa paixão
jogado   num  cativeiro / no  colo da  solidão

sábado, 15 de julho de 2017

Segredo de amor
( valtair bertoli ) 15/07/2017

Sei você já tem alguém
e a todos diz que me esqueceu .
Jura que vive feliz
 não lamenta o que aconteceu .

Pensa que se enganando
 vai apagar  o que  viveu .
pois Já te vi chorando
por meu nome chamando tremendo os  lábios seus .

Em altas horas da noite
sei que vive   a me sondar
Finjo não perceber
e  ao garçom a bebida ao chamar

peço dois copos na mesa
como se outra fosse chegar
E noto a sua tristeza
no carro com a luz acesa  na avenida ao passar

REF:
Pra que ficar me negando
 se ainda  vivo  em seu coração
se  continua me amando
 se padece  com a separação

conto os dias no dedo
peça  que   dou meu perdão
venha não tenha medo
 quebre o seu    segredo vamos  viver  a   paixão
Apaixonado
( valtair bertoli ) 15/07/2017 guarania

Cansei de procurar remédio
 pra poder  curar o meu mal de amor
pois sei que é somente  você
  quem  pode deter  no meu  peito a dor
Não quero mais viver    sozinho
sem os seu carinhos peço por favor
Me leve pra cama
diga que me ama ,
 meu bem me aqueça com o  seu calor

a vida só  nos prega peça
  já não consigo  te esquecer
meu bem volte o mais   depressa
pois sem você não consigo viver


somente após   lhe perder
pude perceber  o quanto    estava  errado
pensava  que nada existia
que era fantasia mas estava enganado  
na vida não tenho  sossego
sem o aconchego deitado  ao seu lado
  meu bem  o meu  coração
implora   seu perdão .
 sei não é ilusão     estou apaixonado

a vida só  nos prega peça
  já não consigo  te esquecer
meu bem volte o mais   depressa
pois sem você não consigo viver

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sem retrocesso
( valtair bertoli ) 12/07/2017

Relembrando minha mocidade
Me bate saudade de um tempo diferente
Que os anos  fez tudo mudar
 E vi transformar tão rapidamente
Hoje o mundo perdeu a alegria
Acabou a magia de antigamente
O sertão  esta todo mudado
Nas  cinzas do passado me vejo  presente

Acabou a  estrada boiadeira
Que erguia poeira no tropel da boiada
Não se usa mais o  ferro a brasa
A energia nas casas deixou ela iluminada
O canto  do  cocão se foi
Com o  carro e os bois na  junta atrelada
Até mesmo a  linda moreninha
Hoje esta mais branquinha e vive maquiada

Os violeiros que  antes reunia
Pra fazer     cantoria no velho  terreirão
Pelo som digital foi vencido
Hoje é só  batido  dizem que é canção
É som alto no carro  filmado
Com jovens drogados  perderam  a noção
No passado os pais  se preocupava
E os   filhos  levava com   as rédeas nas mãos


A pancada do velho monjolinho
A beira do Riozinho   também se calou
Os amigos do tempo de criança
Ficou na lembrança    o tempo separou
 Só o que   resta é olhar pro céu
Ver a lua  no painel  onde nada mudou
Dói saber que o avanço do  progresso
Não tem  retrocesso o que foi bom se acabou

domingo, 2 de julho de 2017

Guaiaca do papai  TOADA BALANÇO
( valtair bertoli ) 02/07/2017


Lembro meu pai usando roupa surrada
Carregando sua inchada indo pra cuidar do chão
Já com seu rosto pelo sol castigado
Levando num amarrado a boia num caldeirão
Lá na biquinha da mina sempre parava
a moringa completava cheio de satisfação
e na lavoura enquanto ele capinava
da casa mamãe cuidava me dando educação


sua guaiaca num prego ele pendurava
quase nunca ela usava passava de mês vazia
e com carinho da família ele zelava
na mesa nada faltava só na colheita enchia
com o seu lucro o banco logo pagava
caderno pra mim comprava e feliz ele sorria
e foi assim que me mandou pra cidade
me pagou a faculdade na lida de boia fria


se hoje uso roupa de grife afamada
tenho caneta dourada e passeio de avião
se minha pele é lisa e bem cuidada
como tudo que me agrada nas mesas de exposição
foi porque o meu pai de dedicou
seu suor derramou na terra na plantação
hoje ele vive com a guaiaca recheada
numa fazenda formada no meio do meu sertão


hoje ele vive com a guaiaca recheada

numa fazenda formada no meio do meu sertão .

sábado, 24 de junho de 2017

Grades  da saudade BOLERO
( valtair bertoli ) 24/06/2017

Estou   preso numa   cela invisível
Por um ser desprezível  
  que me trancou na    saudade
Pago o  preço do  meu crime cometido
Por ela  fui iludido
por  que a amei  de verdade

Sua  lembrança  toda noite me tortura
    me açoita na clausura
   me bate sem  piedade
 já procurei  no cabaré    minha alforria
não senti nem alegria
 não achei minha   liberdade

ref:
agora  triste  eu vivo  agonizando
solitário  esperando a chave do seu perdão
sofro   o castigo num jazigo  sufocado
pelo  amor fui condenado  ao perder minha paixão

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Ilusão da partida
( valtair bertoli ) 22-06-2017

Ainda recordo o dia da minha partida
a porteira na batida acelerando o coração
o meu cavalo caminhando a meu lado
com olhar indignado vendo a mala em minha mão
amanhecia o sol nem tinha nascido
ver meu pai entristecido me cortou o coração
e da janela minha mãe me acenava
distante ela chorava sem dar a demonstração

sai andando na estrada orvalhada
na terra ainda molhada derramei pranto no chão
vendo no ceu revoando os passarinhos
nela eu ia sozinho fazendo minha oração
a jardineira vi chegando apressada
de traia em cima lotada seguindo pra estação
nesse percurso dentro dela eu ia pensando
o que estava me aguardando distante nesse mundão

agora fico lamentado meu passado
do meu canto abençoado so restou recordação
lá não tem mais os meus velhos queridos
nosso sitio foi vendido tombaram as plantação
tudo mudou só cana lá tem plantado
e tijolos amontoados onde foi o meu ranchão
se eu soubesse de lá não tinha partido
hoje sofro entristecido nesse mundo de ilusão

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Bilhete de ida
( valtair bertoli ) 19/06/2017

Comprei passagem um bilhete só de ida
Estou de partida vou deixar quem tanto amei
Irei embora com   o meu  peito magoado
Em  outro estado  amanhã cedo   estarei
Levo comigo as lembranças desse amor
Que sem pudor no fim  deu desilusão
Me dediquei mas não fui correspondido
Parto ferido por não ter  outra opção

Dei tudo a ela que estava a meu alcance
Em nosso enlance  ela jurou sempre me amar
Foram três anos  construindo nosso ninho
Triste sozinho     eu vi tudo se acabar
Um outro alguém  apareceu  no seu caminho
Os seus carinhos  eu percebi  adormecer
E me trocou por um   ex  do  seu passado
Fiquei de lado sem nada poder   fazer

Desejo a ela que tenha felicidade
Deixo a cidade pois não quero mais a ver
Levo as lembranças do seu corpo em meu braços
Dos entrelaço ouvindo sua voz gemer
Fui  bem feliz com o amor que aconteceu
E  não fui eu  o culpado desse fim
Estou indo embora  a procura de alguém
Que sem ninguém devolva a paz pra mim

domingo, 18 de junho de 2017

Fechadura  da saudade
( valtair bertoli ) 18/06/2017

Guardo  na mente um baú recheado
Com  fatos  do  meu passado /  e cenas  de  minha historia
Quem tem a chave é minha amiga   saudade
E Quando o meu   peito  invade /  abre ele na    memória
Me  surgem  luzes do meu tempo de criança
 Me mostrando  as lembranças  / que desperta a   emoção
Volto na casa  no lugar que   fui criado
Meu cantinho   abençoado   /  com as belezas    do sertão

Vejo  meu pai  saindo cedo  apressado
Na lida apartando o  gado  /  ordenhando na mangueira
O João de barro dando suas revoadas
Construindo a sua morada   /  bem no   alto da paineira
 Chego  a ouvir  o  carro de boi na lida
Subindo a trilha cumprida  / rangendo os seus cocão
Os boiadeiros Conduzindo as boiadas
Com a tropa empoeirada  / pra pousar no ribeirão

Ainda na mente  vejo perto da porteira
A velha e grande figueira /  com sua sombra frondosa
Lá eu brincava e mamãe de casa olhava
No almoço me chamava  / com   voz calma e  carinhosa  
Ficou guardado o aroma da infância
No cantinho da  fragrância   / de tantas recordação
Somente eu sinto  não pode ser dividido
 Sou feliz por ter vivido  / lindos anos no rincão

sábado, 17 de junho de 2017

REI DO LAÇO
( VALTAIR BERTOLI )  moda de viola

numa festa de casamento  / que a muito tempo se vai
teve um fato acontecido /  que da  minha mente não sai
duas famílias     felizes  /  num   sitio juntos  festejava
com  fartura de comida  / bebida   tinha que sobrava
Tenório e a linda Sandrinha /  seus   sonhos  realizavam
alem de unir as   famílias /  eles também  se amavam
família humilde  de Sandrinha   /  vivia do que plantava
e família de Tenório  /  famosa  por bois que domava

ja era   de tardezinha /  a noite perto  beirava
todos comiam e bebiam   / a festa feliz  continuava
 os homens pela bebida  /  já davam altas risadas
o álcool ia   subindo /   naquela festa animada
Tenório era boiadeiro /  de sobrenome   afamado
peão de muita ciência /  de tanto lidar com gado
na baixada do  varjão /  do sitio que a festa se dava  
tinha um boi besta fera /  que  perto  ninguém chegava

e foi na boca da noite  / que o boi resolveu aprontar
por não estar  acostumado / com barulheira no lugar
levou a cerca no peito /    saiu em grande disparada
rumou sentido  a sede   / bufando de cabeça baixada
Tenorio viu a besta fera  / subindo  entrando na estrada
tentou se levantar  / sentiu as pernas fraquejada
ao longe avistou seu avô   /  a cavalo  vindo da invernada
seguia  a passo lento /  pois já tinha a idade avançada

o avô sobre seu   cavalo   / vendo  aquela situação
chegou a espora no macho /  já com o seu laço na mão
pareou ao lado do bruto /     lançou  seu laço trançado
firmou ele  na cela  / cavalo   dominou o estalado
foi um grande  alvoroço    / levantou um grande  poeirão
todos virão a besta fera /  dando com a cara no chão
o velho   ficou montado  / sorrindo em cima do   alazão
relembrando  seu tempo de gloria  /  de rei do laço do sertão

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Caboclo realizado
( valtair bertoli ) 15/06/2017 pagode


Meus pés não tem ventoinha / Nem tenho asas nas mãos
Levanto de madrugada / Descalço piso no chão
Dirijo um cabo de enchada / Nas ruas da plantação
Ouvindo a mãe natureza / No radio da imensidão


Ninguém tem peito de ferro / Nem mesmo alma de aço
A preguiça é quem que faz / Do homem ser um fracasso


Meu pulso não tem relógio / a lida ninguém controla
Passo o dia feliz / aqui ninguém me amola
começo a lida bem cedo / meu trabalho não embola
Contemplando as belezas / minha alegria decola


Ninguém tem peito de ferro / Nem mesmo alma de aço
A preguiça é quem que faz / Do homem ser um fracasso


Saúde eu tenho de sobra / Não falta disposição
Gosto de lidar com a terra / Também com as criação
Tenho uma linda princesa / que mora em meu coração
E uma viola afinada / Que alegra a noite no sertão

Ninguém tem peito de ferro / Nem mesmo alma de aço
A preguiça é quem que faz / Do homem ser um fracasso

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Poeta do céu ( valtair bertoli ) 01/06/2017 Quando cai a tarde com o sol no poente Contemplo contente toda passarada Olhando distante as cores no horizonte Nuvens sobre os montes de cor alaranjada Nas galhadas ainda vejo a luz que refrata Por de traz da mata na água do ribeirão Me sinto feliz da casinha olhando O sol se amoitando na tarde do sertão O astro Rei ao longe vai despedindo Com a noite surgindo desce a escuridão Trazendo consigo o manto azulado Com os pingos dourados na imensidão Na grama os grilos cantam em serenata lua fica grata e vem ouvir a canção Toda majestosa logo se faz presente Pintando o horizonte com o seu clarão Estrelas apressadas correm riscando o céu No corgo do vergel curiango da o piado a coruja atenta caça por todo campo junto a pirilampo piscando de todo lado a grama de relva fica toda molhada No romper da alvorada no amanhecer A essa hora a muito já estou de pé Tomando café junto ao meu bem querer Tudo isso eu vejo depois do serviço Onde me espreguiço na rede da morada Assisto e escuto o som da natureza Com minha riqueza que é minha amada Assim minha vida simples vou levando Na lida tocando o cultivo do chão ouvindo o Poeta lá do céu me falando estou te brindando cumpra sua missão



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mesnagem no facebook ( valtair bertoli ) 31/05/2017 Pouco me resta agora Esta chegando minha hora Do mundo minha partida Eu muito tenho pensado O quanto fiz de errado Deixando abertas feridas Aqueles que magoei e nunca me importei a todos peço perdão Hoje estou arrependido por vocês sofro entristecido demorei pra aprender a lição Agora que estou no fim peço não olhem pra mim Diferente com piedade Sei que não fui perfeito não percebi meus defeitos Vivia cheio de vaidade Errei com meus amigos na família fui um castigo Agi sem ter coração Por isso quero redimir para em paz eu poder partir Terminar a minha missão Lendo essa mensagem escrita com coragem dita em alto astral Notei o quanto é importante chegar nesse instante com paz espiritual A doença pode não ter cura mas a vida perdura Numa outra dimensão um dia também vou embora não sei se vai ter demora a você deixo minha oração.

domingo, 28 de maio de 2017

Carreiro do alem
( valtair bertoli ) 28/05/2017 corta jaca

Foi dolente este fato acontecido
que deixou entristecido / A todo  povo no sertão
 carreiro velho que estava acostumado
 a corta  serra  e cerrado / Na lida da profissão
Naquela tarde muito feliz carreava
 com as juntas conversava / Longe de preocupação
Jamais pensava que a morte espreitava
   na encosta o aguardava / Pra findar sua missão  

O sol da tarde já deitava no poente
depois de um dia ardente  / Castigar  todo  o rincão
No alto do morro  uma pedra despencava
 no seu carro acertava / Foi uma judiação
Velho carreiro com seus  bois deu um grito
 que ecoou no infinito / Mais alto que os cocão
Tinham respeito mas o trecho  era   estreito
jogou o carro em  seu peito  / Despencaram  no grotão

Naquele dia  mestre e  carro se calou
  a morte veio e  levou / A todos  sem compaixão
E todos juntos  também foram    sepultados
 igual no carro  atrelados / la  fincaram  o seu ferrão
reza a lenda que nas tarde se sol quente
se ouve de bem distante  / um rangido em canção
mestre carreiro com os seus bois conversando

 e o cocão feliz cantando / no alto da imensidão

sábado, 27 de maio de 2017

Meu paraíso
( valtair bertoli ) 27/05/2017

O silencio foi interrompido / pelo galo na madrugada
Sabia abriu a orquestra / regendo toda passarada
 As estrelas foram embora / brilhou a grama orvalhada
Com o sol surgindo nos montes / no raiar da alvorada


  feliz sigo caminhando  / vou levando no  ombro   a enxada
 a moringa carrego   na mão /  e a boia no cabo amarrada
pisando na terra   fofa  /    por  sereno ainda molhada
 sigo  pela  estradinha  / olhando  a nevoa   na  baixada


a nevoa    no  ribeirão  /   deixa  a mata toda esbranquiçada  
 o gado pasta  feliz   / com  anum em    revoadas
  o tiziu da  seus pulinhos   / seriema  canta nas ramadas
    sigo a tudo observando   /  pra cumprir meu dia de jornada

assim inicio  meu dia  / outras   cenas aqui me agrada
sabia no pé de mamão / no fruto  dando suas bicadas
o tatu no buraco escondido / as  lebres pulando apressadas  
aqui  é o  meu paraíso / que no mundo  não troco por nada

sonho de menino
( valtair bertoli ) 27/05/17

Quando passo na porteira /  vejo no seu mourão
dois  nomes nele gravado   /   dentro de um coração
 Há    muitos anos  passado /   rsiquei com  minha paixão
que  partiu e   foi embora  /  deixou só  recordação

tinha os olhos   tão lindos  / Azul da cor do céu
 lábios carnudos  rosados / com  o sabor de   mel
hoje sofro a  lembrança /  sinto  o seu gosto de fel
lembrando da   despedida /  ela seguindo  ao leu


a  minha doce infância    / pra sempre  ficou marcada
recordo  ela   sumindo  / lá   na curva da estrada
Foi nesse exato  instante  /que    acenou   minha amada
E nunca mais eu vi ela /   tive minha sina    trancada

tudo  que sonho na vida / é   com ela  me   encontrar
pra acalmar minha  dor /    que  insiste em  me maltratar
talvez     esteja  sozinha  / triste   a me esperar
talvez quem sabe  o destino / possa um dia me ajudar


quando isso  acontecer  /  tudo quero lhe falar
do quanto  que procurei /  sem nunca desanimar
é minha eterna rainha / com quem sonhei  me casar
se ela estiver disposta / trago ela pro meu lar

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Pescaria de boiadeiro
( valtair bertoli / Joao Miranda ) cururu 16/05/2017

Amarei  a bruaca na cangalha do burrão
Arriei  o meu cavalo cheio de disposição
To saindo apressado
 não para   lidar com gado
 Vou pescar no ribeirão

To levando a cartucheira  e balas no cinturão
Canivete paia e fumo e pinga num garrafão
Também o  laço  trançado  
não para  lidar com gado
Vou pescar no ribeirão

Levo a rede de imbira o samburá  feito a mão
Minha lona de estradeiro para  minha proteção
Estou indo preparado
não para  lidar com gado
Vou pescar no ribeirão

A bruaca vai pesada to levando de montão
Paçoca de carne seca rapadura e  feijão
Vou  com Deus a meu lado
não para  lidar com gado
Vou pescar no ribeirão
.






Amor proibido
( valtair bertoli ) 19/05 /2017

Nas minhas noites nada tem que me agrade
Desde quando cai a tarde / já me bate a solidão
Sinto no  peito um amargor desenfreado
Passo a noite acordado  / remoendo de paixão
No  meu quarto  deito  triste  tão  sozinho
Querendo seus   carinhos  / e não vejo salvação
Quem eu amo  nem sabe do meu castigo
Esposa de um  amigo  / que me trata como irmão

Como pode acontecer isso comigo
Ter que amar ela escondido /  e viver nessa  ilusão
E sorrir vendo ela a seu lado
Com o peito espedaço   /doendo o coração
Lhe  respeito por isso fico  calado
Não quero ser condenado / sei que não tenho razão
A voz do  anjo em   meu ouvido tem falado
Você esta errado / e jamais terá perdão

terça-feira, 16 de maio de 2017

Entardecer de caboclo ( sem melodia )
( valtair bertoli ) 16/05/2017

Quando eu volto da roça , passo  na paioça
,paro  pra rever
A mais bela caboclinha , minha princesinha
 o meu bem querer
Vendo o sol sobre os montes , indo no horizonte
. pra se esconder
Esqueço o  corpo cansado e sigo apressado
, pra cumprir meu dever

Vou terminar meu Serviço ,  sempre faço isso
  com muito prazer
Deus me dando saúde  , amor e Atitude
, eu sempre vou ter
Paro e espio as galinhas ,  nos galhos  Juntinhas
 a se espremer
Trato todas criação ,  acendo o lampião
já com o céu a  escurecer

No regresso pro ranchinho ,  paro no caminho
 somente  pra ver
as chocas sobre os pintinhos ,   atenta nos  ninhos
 a lhes proteger
sento num velho banquinho ,  fico    quietinho
 ali  e pego fazer
meu cigarrinho de paia  , com a lua que espraia
 no ceu a nascer

assim termino o meu dia , com muita alegria
 pego agradecer
por Deus  me     abençoar  . e  por  me brindar
com  o  lindo  anoitecer
vou encontrar  a caboclinha  , dentro da casinha
 com a água a ferver
com ela tomo meu banho ,  me deito e me assanho
 e me sinto renascer

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Neto do Mestre 
( valtair bertoli ) 12/05/2017

Na cidade de Pardinho / Num encontro de violeiros
Apareceu um caboclinho / Com traje de estradeiro 
Carregava  uma viola  /  toda feita de pinheiro
Distante da multidão / Acompanhava as canção
Com seus dedos bem ligeiro 

O povo a sua frente  / Ouvindo seus ponteados
Aplaudiam fortemente / Ficaram  impressionados 
E Por um dos dirigentes / Pra tocar  foi convidado
Num gesto de educação / Agradeceu a ocasião 
E ao palco foi levado 

Ao subir  pediu  licença / Pra poder se apresentar
O meu sonho de criança Disse  vou realizar 
Venho vindo  de Taciba  / Sonhava aqui chegar
Confesso que a emoção /   apertou meu coração
ouvindo  as violas tocar 

acompanhou todos pagodes / todas notas conhecia
brincava  com os   acordes / a multidão  feliz sorria 
sei dizer que esse show / chegou ao romper do dia
num gesto de  devoção  /   ao fim fez uma oração
e ao avô agradecia   

a meu avô eu  agradeço / o que  me ensinou aplico
muito pouco eu conheço / mas ainda me dedico
usufruo do  legado /  do seu ponteado rico
meu mestre de coração / conhecido no sertão
pelo  nome de Bambico 

sábado, 6 de maio de 2017

Sonho colorido
( valtair bertoli ) 06/05/2017


A tempo distante deixei minha terra
Em plena primavera inicio de estação
Sai buscando o sonho colorido
Vendo o ipê florido enfeitando o sertão
Da jardineira ia contemplando
Da janela olhando fazer poeirão
infelizmente eu não sabia
que oque eu queria
sempre esteve fincado nesse meu chão


cheguei na cidade de madrugada
a nevoa esbranquiçada ofuscava a visão
diversos rostos por seus cantos eu via
nenhum me sorria na multidão
sai pela rua e vi gente deitada
na fria calçada sobre papelão
o forte barulho no ouvido zunia
o nariz entupia
com o cheiro ardido da poluição


na cidade grande somente eu sei
o quanto que chorei com as recordação
sonhava a noite que tinha voltado
e papai encontrado em meio a plantação
via o sorriso da minha mãezinha
na nossa cozinha acendendo o fogão
então descobri que o que tinha buscado
sempre esteve a meu lado

por isso voltei e pedi perdão

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Respeito de matuto
( valtair bertoli ) 01/05/2017

Meu amigo pegue arraste uma cadeira
Não repare na poeira nem na casa por favor
Sei que o doutor vive sempre ocupado
e não esta acostumado com as coisas do interior
vou  ir  buscar água fresca lá da mina
leve  pura e cristalina com essência e   sabor
enquanto isso peço que fique a vontade
 veja a felicidade com que bailam os beija flor

A muito tempo do sitio tenho cuidado
Do meu pai foi herdado zelo dele com amor
Eu Me orgulho das águas do ribeirão
Claras sem poluição me refresca no calor
A mata virgem na encosta ao pé da serra
Permanece como era sopra vento com frescor
O ano inteiro o brejo fica alagado
jacarés lá tem criado vivem sem ter predador

Aqui eu vivo com a família e a natureza
contemplando as belezas de Deus nosso criador
Desde a tarde quando o sol vai se embora
A noite o romper da aurora quando sobe o vapor
Sobre essa  terra brota tudo o que é plantado
É um solo abençoado regada com meu suor
Mantenho ela com carinho e com respeito
Com alivio em meu  peito  vendo no céu o fulgor

 sei que o progresso no mundo é importante
Une dois pontos distantes mas esquece dos valor
Não acho certo ver tudo ser destruído
Eu Te peço comovido que entenda minha dor
meu velho pai lá no passado já sofria
Quando via rodovia sendo aberta por trator
jamais pensei em ver esse solo rasgado
meu sonho esta destroçado me desculpe seu doutor
Amigo radialista
( valtair bertoli ) 01/05/2017

Radialista lhe escrevo  essa carta
pra falar de uma ingrata
que feriu  meu coração
a muito tempo ela não fala comigo
 me impôs o seu castigo
me deixou na solidão
vivo distante da cidade que ela mora
faz tempo  que foi embora
sem me dar explicação
 queria tanto poder conversar   com  ela
 e  pedir uma trela
então me toque essa canção

sei  que na hora  que  ouvir a melodia
 vai lembrar do que dizia
de qual grande era a paixão
recordara nossos momentos felizes
  feito um  filme  em  reprise
que viveu com emoção
sei que alguém com ciúmes fez intriga
 se passando por amiga
fez isso  de má intenção
que  não gostava de ver nossa  felicidade
 e agindo  por   maldade
destruiu nossa união

domingo, 9 de abril de 2017

Casa da felicidade
( valtair bertoli ) 09/04/2017

Sempre recordo minha casa do passado
escondida  em meio ao prado desprovida de riqueza
Casa  humilde com  chão  de terra batida
De madeira construída mas tinha sua beleza
Sua  cozinha tinha longas  prateleiras
de  paia  era as cadeira e   uma  prancha  era a   mesa
Fogão a lenha com lata de banha ao lado
No   varão de pendurado    gomos de   linguiça  presa
 
Durante a noite pelas frestas da janela
Trancadas por Tramela   se via os fachos  do  luar
Eu no meu quarto no colchão de capim
Numa alegria sem fim não via o tempo passar
Sentindo o aroma do frescor da madrugada
Invadindo a morada pelas frutas no pomar
Era acordado no romper da alvorada
Ouvindo a passarada com   raios do sol a entrar

Quando chovia  das telhas vinha gotinhas
Dando  brisa na casinha que ficava umedecida
O cheiro da terra que a  chuva encharcava
A esperança redobrava de fazer   florir a vida
e na varanda  o jardim na sua entrada
  destacava a fachada com flores de cor surtidas
e o  arco ires    enfeitava o horizonte
fazendo unir os  montes  com suas   listras coloridas

podem falar que sou muito  saudosista
más duvido quem   resista quem viveu a vida assim
de não falar  desses  anos tão dourados
que na mente esta guardado  feito cheiro de alecrim
e quando lembra dos momentos já vividos
se sente acolhido na maciez de um cetim
não vou deixar de falar do meu passado
pois já  fui abençoado pelo Mestre Elohim

sábado, 1 de abril de 2017

Estrada da saudade
( valtair bertoli )

nessa  estrada  / antes de ser asfaltada
passou muita   boiada   /  levantando   poeirão
nela   também / carreava os   carreiros
levando pro  celeiro  /  toda colheita  do grão
só um vilarejo   / perto dela   existia
não havia energia   /  nem mesmo   poluição
Sob o  asfalto  / sepultaram seu  passado
que  ainda trago  guardado  / na minha   imaginação

ainda recordo  /  a  capelinha  rosada
perto da  curva fechada /  na ponte do   ribeirão
 os  boiadeiros  /  lá faziam  sua  parada
acalmando  a boiada /  e faziam uma  oração
Logo   abaixo  / na figueira reuniam
nas suas redes  dormiam /  debaixo de um   galpão
Hoje um pedágio /  no lugar   foi construído
e tudo foi destruído  /  não restou nada no  chão

tinha floresta acompanhando  seu   caminho
com  lindos  passarinhos   /  que enfeitava o sertão
os  animais  / surgiam no seu    trajeto
no descampado  aberto   /  via  onça de montão
todos carreiros  / dos perigos  já sabiam
armados la seguiam  /  redobrando  a atenção
Hoje animais /  só nas  placas da estrada
foram todas dizimadas  /  se encontram em   extinção

nela também    eu  vivia  cavalgando
feliz  sempre  cantando  /  para  ver minha paixão
ia ansioso     / no meu  cavalo montado
e na casa ao  ter chegado   / só pegava em sua   mão
infelizmente hoje tudo  mudou
o progresso aqui  chegou   / fez dela um tapetão
não sei dizer /  se esta certo ou errado
  mas eu sofro   emocionado  / com minha  recordação

quarta-feira, 29 de março de 2017

Coração de peão
( valtair bertoli )  caterete  29/03/2017

A tempos vejo    boiadas    Levadas  em caminhão
Relembro   minhas jornadas   no meu tempo de   peão
Eu nunca imaginava     perder minha profissão
Do meu tempo de estradeiro  Cortando o pais  inteiro
  que fazia com  paixão  

comparando  o  passado  até os dias   presente
a  lida  foi mais bonita   no tempo de antigamente
dificilmente uma reis  não chegava   no  cliente
abrindo novas picadas  enfrentando  as  pintadas
 hoje esta  bem diferente

a minha  idade  chegou acabou com   meus planos
assim também vi sumindo  todo gado cuiabano
hoje só vejo  nelore   aumentando ano a ano
por culpa do    progresso mas a  vocês eu  confesso
pra mim tem sido tirano

  falei aqui um pedaço da   lida no meu  sertão
que via atras da boiada envolta no  poeirão
o som do velho berrante ficou na recordação
sofro ao falar do passado já sinto acelerado
no peito meu coração

terça-feira, 28 de março de 2017

Minha casinha
( valtair bertoli ) 28/03/2017 cururu


Comprei uma casinha escondida pela mata
Quinze alqueires de terra
encostada ao pé serra pertinho de uma cascata
Nas tardes de sol quente canta alto as cigarras
Passarinhos com seu canto
sobrevoam o recanto fazendo grande algazarra


Nela eu moro sozinho curtindo a natureza
Nas noites os pirilampos
piscando por todo campo Mais Aumenta a beleza
o céu brilha estrelado enfeitando o reduto
A lua vem desnudada
clareando a madrugada Aqui Deus é absoluto


Gosto de acordar cedinho no romper da alvorada
ver o sol surgir nos montes
clareando o horizonte na cor forte avermelhada
Os seus raios refletido brilha na grama orvalhada
o dia vira uma festa
quando esvai na floresta A nevoa esbranquiçada


   bicharada fica    solta passeia com  liberdade
borboletas e beija flor
 desfrutam o nobre sabor  nas flores ficam a vontade
sou nativo    do sertão  gosto da  simplicidade
aqui deito e levanto

 a cada dia mais me encanto  cheio de    felicidade  

domingo, 26 de março de 2017

Boiadeiro solitário
( valtair bertoli ) 26/03/2017

Um boiadeiro sobre seu cavalo
Vai cavalgando lento no estradão
E relembrando  todo seu passado
Que esta guardado no seu coração
Olhando atento  pra todos lados
Enche o peito de recordação
Sopra o berrante todo  emocionado
Tocando  triste sua solidão

Toca o berrante ho boiadeiro
Segura firme com as suas mãos
Sopra  o berrante o boiadeiro
Rumo a pousada da imaginação

Sua tocada  indo pela estrada
Não faz  tropé   e nem   poeirão
Somente tem a vista embaçada
Pela idade roubando   a visão
Sem companheiro e sem sinueiro
Segue sozinho no seu batidão
Expulsando  a dura saudade
Dos  velhos  tempos que foi  Peão

Toca o berrante ho boiadeiro
Segura firme com as suas mãos
Sopra  o berrante o boiadeiro
Rumo a pousada da imaginação

Sabor de mel e veneno
( valtair bertoli ) 26/03/2017

Eu  provei da sua boca o extasiante sabor
Deixei meu  sonho  embalar nos seus lábios de licor
Sentindo o seu  perfume aroma de linda flor
O que eu nunca achava  e nunca imaginava
Era sofrer desamor

Contigo eu aprendi  a te amar com fervor
Andar por todos caminhos seguir juntos sem temor
Me mostrou   que na vida tudo tem o seu valor
Da boca que eu beijava dela  eu não  esperava
era  ouvir  o  rancor

você ensinou a voar suave igual  beija flor
também me levou ao  céu  mais alto que um  condor
fez o vento     soprar na proa a meu favor
e quando eu  mais te amava no frio me retirava
  o seu quente calor

um dia a tempestade o sol não pode transpor
nosso  romance mudava   para  um    filme de terror
a magoa  nos  separava   jamais  podia supor  
que o seu ego pequeno  ia fazer   de  veneno
o mel do nosso amor

quinta-feira, 23 de março de 2017

FIM DE CAMINHONEIRO
( VALTAIR BERTOLI  / Vittor Silva )

No leito de um hospital / tinha um velho deitado
em estado terminal / a muito tempo internado
no horário de visita /  ninguém ia lhe   visitar
um dia o  padre chamou   /  e quando o vigário  entrou  
Logo pegou  confessar

Falou  sobre sua luta  / e tudo o que havia   enfrentado
disse  também  da  família   / que tinha lhe abandonado
pois  ficar la esquecido  / não achava alarmante  
perdoando   esposa e    filhos /  disse sem trocadilho
 sempre  estive  distante

padre fui um homem forte / tinha a minha devoção
rodava de sul a norte / guiando meu caminhão
distante da minha casa  / nem vi meus filhos crescer
quando  mamãe  faleceu  /  muito meu peito doeu
não    pude comparecer

eu lutei por um  progresso / hoje estou acabado
a Deus eu sempre peço / pra perdoar meu passado
podia ter escolhido / qualquer outra profissão
estar perto de meus filhos / enchendo eles  de brilho  
 ter dado mais atenção

se  calando    foi dormindo / virou  a cabeça de lado
nos seus olhos foi surgindo / lagrimas neles fechados
tudo virou silencio / parou o seu coração
ali fez sua partida  / o  homem que deu a vida
 pra grandeza da nação

quarta-feira, 22 de março de 2017

Fim da casa de caboclo
( valtair bertoli ) 22/03/2017

Já não existe mais a casa de caboclo
e  mesmo  tão pouco / o casal   que lá  morava
la do passado     eu só  vi o velho  cocho
e também alguns dos   tocos /  em que as visitas  sentava

Fizeram  perto uma casa de alvenaria
No lugar que  eu   corria /  quando a boiada chegava
junto do ipê que muitas vezes   subia
E De muito longe ouvia /   o berrante  que  repicava

tem um galpão que fizeram   do  seu lado
Distante  lá   vi guardado /  maquinários importados
Alguns cobertos por um pedaço de lona
E todos eles  funciona /  por motor tracionado

 hoje  padeço de saudade  do  ranchinho
Do cheiro do   cafezinho /  na hora bem preparado
E dos bolinhos  feito pela sinhazinha
Bem ao lado da  cozinha  no forno de lenha assado

A  vida ali por Deus  era  abençoada
Muita gente na  morada  /  nas colheitas  reunia
E muitas vezes nela  fizemos pousadas
Trabalhando na  empreitada  muitas noites   lá dormia

Infelizmente tudo ficou no passado
 meu antigo eldorado /  hoje esta tão  diferente
Eu do progresso  também me aproveitei
Envelheci  más  não mudei  / o meu respeito a essa gente
Fim de um amor perfeito
( valtair vertoli )

Nem um  amigo   sabe  da  realidade
Depois que    a felicidade  escorreu  por   minhas  mãos
O que eu sofri ao perder a minha  amada
Que andava    de mãos  dadas   vivendo    nossa paixão

 Amor   mais  lindo que o nosso não existia
   Tristeza   não conhecia vivia com emoção
Hoje eu padeço lamentando  o passado
No meu quarto  abandonado  preso na  recordação

A minha   vida  se tonou  uma agonia
não esqueço aquele  dia o meu pranto cai ao chão
 vejo você  no hospital feliz sorrindo
logo dois   corpos saindo  unidos em  um caixão

terça-feira, 21 de março de 2017

Perdão ( valtair bertoli ) 21/03/2017 Meu pensamento insiste / querendo te encontrar em meus sonhos toda noite / sempre vou te visitar Feliz fico contigo / no mundo da ilusão De dia sofro o castigo/ você não esta comigo Padeço na solidão Meu mundo esta vazio / por não ter o seu amor Vivo vagando sozinho/ tentando curar a dor a vida esta sem sentido / a luz virou escuridão Meu bem tenho padecido / no peito bate ferido O meu pobre coração Muitas vezes caminhado / sem destino na cidade Te vejo em outros rostos / no calor da minha saudade Já não sei o que fazer / é triste a situação Não consigo te esquecer / pressinto que vou morrer sem a sua salvação Nada no mundo me agrada / só você é que me faz bem Sei que você ai distante / por mim padece também Arruinei o paraíso / pra ti fiz essa canção Estou perdendo o juízo / meu bem de você preciso Venha me dar seu perdão