RADIO BARREIRITTO CAIPIRA

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sábado, 24 de junho de 2017

Grades  da saudade BOLERO
( valtair bertoli ) 24/06/2017

Estou   preso numa   cela invisível
Por um ser desprezível  
  que me trancou na    saudade
Pago o  preço do  meu crime cometido
Por ela  fui iludido
por  que a amei  de verdade

Sua  lembrança  toda noite me tortura
    me açoita na clausura
   me bate sem  piedade
 já procurei  no cabaré    minha alforria
não senti nem alegria
 não achei minha   liberdade

ref:
agora  triste  eu vivo  agonizando
solitário  esperando a chave do seu perdão
sofro   o castigo num jazigo  sufocado
pelo  amor fui condenado  ao perder minha paixão

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Ilusão da partida
( valtair bertoli ) 22-06-2017

Ainda recordo o dia da minha partida
a porteira na batida acelerando o coração
o meu cavalo caminhando a meu lado
com olhar indignado vendo a mala em minha mão
amanhecia o sol nem tinha nascido
ver meu pai entristecido me cortou o coração
e da janela minha mãe me acenava
distante ela chorava sem dar a demonstração

sai andando na estrada orvalhada
na terra ainda molhada derramei pranto no chão
vendo no ceu revoando os passarinhos
nela eu ia sozinho fazendo minha oração
a jardineira vi chegando apressada
de traia em cima lotada seguindo pra estação
nesse percurso dentro dela eu ia pensando
o que estava me aguardando distante nesse mundão

agora fico lamentado meu passado
do meu canto abençoado so restou recordação
lá não tem mais os meus velhos queridos
nosso sitio foi vendido tombaram as plantação
tudo mudou só cana lá tem plantado
e tijolos amontoados onde foi o meu ranchão
se eu soubesse de lá não tinha partido
hoje sofro entristecido nesse mundo de ilusão

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Bilhete de ida
( valtair bertoli ) 19/06/2017

Comprei passagem um bilhete só de ida
Estou de partida vou deixar quem tanto amei
Irei embora com   o meu  peito magoado
Em  outro estado  amanhã cedo   estarei
Levo comigo as lembranças desse amor
Que sem pudor no fim  deu desilusão
Me dediquei mas não fui correspondido
Parto ferido por não ter  outra opção

Dei tudo a ela que estava a meu alcance
Em nosso enlance  ela jurou sempre me amar
Foram três anos  construindo nosso ninho
Triste sozinho     eu vi tudo se acabar
Um outro alguém  apareceu  no seu caminho
Os seus carinhos  eu percebi  adormecer
E me trocou por um   ex  do  seu passado
Fiquei de lado sem nada poder   fazer

Desejo a ela que tenha felicidade
Deixo a cidade pois não quero mais a ver
Levo as lembranças do seu corpo em meu braços
Dos entrelaço ouvindo sua voz gemer
Fui  bem feliz com o amor que aconteceu
E  não fui eu  o culpado desse fim
Estou indo embora  a procura de alguém
Que sem ninguém devolva a paz pra mim

domingo, 18 de junho de 2017

Fechadura  da saudade
( valtair bertoli ) 18/06/2017

Guardo  na mente um baú recheado
Com  fatos  do  meu passado /  e cenas  de  minha historia
Quem tem a chave é minha amiga   saudade
E Quando o meu   peito  invade /  abre ele na    memória
Me  surgem  luzes do meu tempo de criança
 Me mostrando  as lembranças  / que desperta a   emoção
Volto na casa  no lugar que   fui criado
Meu cantinho   abençoado   /  com as belezas    do sertão

Vejo  meu pai  saindo cedo  apressado
Na lida apartando o  gado  /  ordenhando na mangueira
O João de barro dando suas revoadas
Construindo a sua morada   /  bem no   alto da paineira
 Chego  a ouvir  o  carro de boi na lida
Subindo a trilha cumprida  / rangendo os seus cocão
Os boiadeiros Conduzindo as boiadas
Com a tropa empoeirada  / pra pousar no ribeirão

Ainda na mente  vejo perto da porteira
A velha e grande figueira /  com sua sombra frondosa
Lá eu brincava e mamãe de casa olhava
No almoço me chamava  / com   voz calma e  carinhosa  
Ficou guardado o aroma da infância
No cantinho da  fragrância   / de tantas recordação
Somente eu sinto  não pode ser dividido
 Sou feliz por ter vivido  / lindos anos no rincão

sábado, 17 de junho de 2017

REI DO LAÇO
( VALTAIR BERTOLI )  moda de viola

numa festa de casamento  / que a muito tempo se vai
teve um fato acontecido /  que da  minha mente não sai
duas famílias     felizes  /  num   sitio juntos  festejava
com  fartura de comida  / bebida   tinha que sobrava
Tenório e a linda Sandrinha /  seus   sonhos  realizavam
alem de unir as   famílias /  eles também  se amavam
família humilde  de Sandrinha   /  vivia do que plantava
e família de Tenório  /  famosa  por bois que domava

ja era   de tardezinha /  a noite perto  beirava
todos comiam e bebiam   / a festa feliz  continuava
 os homens pela bebida  /  já davam altas risadas
o álcool ia   subindo /   naquela festa animada
Tenório era boiadeiro /  de sobrenome   afamado
peão de muita ciência /  de tanto lidar com gado
na baixada do  varjão /  do sitio que a festa se dava  
tinha um boi besta fera /  que  perto  ninguém chegava

e foi na boca da noite  / que o boi resolveu aprontar
por não estar  acostumado / com barulheira no lugar
levou a cerca no peito /    saiu em grande disparada
rumou sentido  a sede   / bufando de cabeça baixada
Tenorio viu a besta fera  / subindo  entrando na estrada
tentou se levantar  / sentiu as pernas fraquejada
ao longe avistou seu avô   /  a cavalo  vindo da invernada
seguia  a passo lento /  pois já tinha a idade avançada

o avô sobre seu   cavalo   / vendo  aquela situação
chegou a espora no macho /  já com o seu laço na mão
pareou ao lado do bruto /     lançou  seu laço trançado
firmou ele  na cela  / cavalo   dominou o estalado
foi um grande  alvoroço    / levantou um grande  poeirão
todos virão a besta fera /  dando com a cara no chão
o velho   ficou montado  / sorrindo em cima do   alazão
relembrando  seu tempo de gloria  /  de rei do laço do sertão

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Caboclo realizado
( valtair bertoli ) 15/06/2017 pagode


Meus pés não tem ventoinha / Nem tenho asas nas mãos
Levanto de madrugada / Descalço piso no chão
Dirijo um cabo de enchada / Nas ruas da plantação
Ouvindo a mãe natureza / No radio da imensidão


Ninguém tem peito de ferro / Nem mesmo alma de aço
A preguiça é quem que faz / Do homem ser um fracasso


Meu pulso não tem relógio / a lida ninguém controla
Passo o dia feliz / aqui ninguém me amola
começo a lida bem cedo / meu trabalho não embola
Contemplando as belezas / minha alegria decola


Ninguém tem peito de ferro / Nem mesmo alma de aço
A preguiça é quem que faz / Do homem ser um fracasso


Saúde eu tenho de sobra / Não falta disposição
Gosto de lidar com a terra / Também com as criação
Tenho uma linda princesa / que mora em meu coração
E uma viola afinada / Que alegra a noite no sertão

Ninguém tem peito de ferro / Nem mesmo alma de aço
A preguiça é quem que faz / Do homem ser um fracasso

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Poeta do céu ( valtair bertoli ) 01/06/2017 Quando cai a tarde com o sol no poente Contemplo contente toda passarada Olhando distante as cores no horizonte Nuvens sobre os montes de cor alaranjada Nas galhadas ainda vejo a luz que refrata Por de traz da mata na água do ribeirão Me sinto feliz da casinha olhando O sol se amoitando na tarde do sertão O astro Rei ao longe vai despedindo Com a noite surgindo desce a escuridão Trazendo consigo o manto azulado Com os pingos dourados na imensidão Na grama os grilos cantam em serenata lua fica grata e vem ouvir a canção Toda majestosa logo se faz presente Pintando o horizonte com o seu clarão Estrelas apressadas correm riscando o céu No corgo do vergel curiango da o piado a coruja atenta caça por todo campo junto a pirilampo piscando de todo lado a grama de relva fica toda molhada No romper da alvorada no amanhecer A essa hora a muito já estou de pé Tomando café junto ao meu bem querer Tudo isso eu vejo depois do serviço Onde me espreguiço na rede da morada Assisto e escuto o som da natureza Com minha riqueza que é minha amada Assim minha vida simples vou levando Na lida tocando o cultivo do chão ouvindo o Poeta lá do céu me falando estou te brindando cumpra sua missão